INTERVENÇÃO DE SUA EXCELÊNCIA O PRESIDENTE TAUR MATAN RUAK NA COMEMORAÇÃO DO 25º ANIVERSÁRIO DO MASSACRE DE SANTA CRUZ

by Media Team Posted on

Díli, 12 de Novembro de 2016

Saúdo todos os jovens de Timor-Leste neste Dia Nacional da Juventude, data que nos recorda o sacrifício heróico de muitos jovens, que se ergueram contra a ocupação do nosso país, pela libertação desta terra e do nosso povo.

Presto homenagem à memória dos mártires de Santa Cruz e de todos os jovens que tombaram noutros massacres, em Díli e outros lugares.

Saúdo, calorosamente, as famílias presentes e todas as famílias cujos filhos e filhas tombaram em defesa da dignidade do povo e da independência da nossa terra.

Passam 25 anos sobre o massacre de Santa Cruz. Infelizmente, houve outros massacres terríveis na nossa terra. Mas o massacre de Santa Cruz chamou, especialmente, a atenção do mundo para o sacrifício dos nossos jovens – e do nosso povo – porque estavam em Santa Cruz jornalistas, incluindo jornalistas de outros países.

As imagens que esses jornalistas gravaram e as notícias que escreveram correram mundo e deram a conhecer o crime cometido em Santa Cruz, em 12 de novembro de 1991.

Estendo a minha homenagem e reitero o nosso reconhecimento aos jornalistas Allan Nairn e Amy Goodman, presentes em Santa Cruz, em 1991, e em particular a um grande amigo de Timor-Leste, Max Stahl, também presente nesse trágico dia, que pelo seu trabalho, o seu profissionalismo e a sua coragem mostraram ao mundo o sacrifício dos timorenses no país ocupado.

Desta maneira, a imprensa livre e os valores do jornalismo contribuíram para a liberdade dos timorenses.

Saúdo, também por isso, os profissionais da comunicação social que de uma forma direta ou indireta deram o seu contributo para divulgar por todo o mundo a luta do povo timorense. O nosso agradecimento especial para o jornalista António Sampaio.

25 anos depois daquele trágico dia, Timor-Leste é independente e a liberdade de imprensa permanece um valor da maior importância, para dar voz à sociedade e aos cidadãos contra a violência e todas as formas de abuso.

No tempo da luta, nós estivemos unidos para defender a dignidade do povo e combater o invasor.

Naquele tempo, lutar pelo bem estar e pelo desenvolvimento significava libertar o país. Os timorenses, mostraram a sua capacidade, como povo. Mostraram coragem e uma grande determinação em não desistir até alcançarmos o objetivo nacional da libertação.

Há outros grandes objetivos nacionais, objetivos muito importantes, que nós ainda não alcançados.

A independência é, para nós, um instrumento importante para lutarmos e vencermos novos desafios: o desafio do Desenvolvimento; o desafio de acabar com a pobreza; o objetivo de melhorarmos a Educação, a Saúde e o Bem-estar do povo.

Estes objetivos ainda não foram atingidos. Está nas nossas mãos trabalharmos e estarmos unidos, para construir mais bem-estar no nosso país.

Acabar com a pobreza e avançar no caminho do desenvolvimento nacional são desafios que exigem a participação de todos os Timorenses, especialmente, a participação de todos os jovens – homens e mulheres.

Temos de melhorar a política económica em Timor-Leste, para servir melhor o país, para estimular o setor privado nacional e para criar empregos para incluir todos os jovens no esforço de desenvolvimento nacional.

O desenvolvimento da nossa sociedade e do país exige a participação de todos.

Apelo a todos os jovens, homens e mulheres de Timor-Leste, para se inspirarem no exemplo de participação, de serviço ao país e de união que os jovens nos deram em 12 de novembro – e noutros momentos da história.

No passado derramámos sangue pela libertação nacional. Hoje temos de derramar suor, em prol da construção nacional e da busca de bem-estar na sociedade.

Devemos honrar os bons exemplos de serviço ao país: trabalhar para o bem comum, e não servir apenas interesses particulares; devemos defender a dignidade da Nação, porque é esta que assegura a expressão livre da nossa cultura e a proteção da nossa identidade de timorenses.

A participação dos jovens – e de todos os cidadãos – no desenvolvimento do país é a melhor forma de honrarmos a memória daqueles que tombaram durante a luta de libertação e não podem estar hoje presentes connosco.

No momento em que honramos a memória dos mártires do 12 de novembro, apelo à unidade do país, em prol da estabilidade e do desenvolvimento.

Neste dia tão marcante para a Luta de Libertação Nacional, não podemos esquecer o papel da resistência juvenil na Frente Clandestina como responsável pelo planeamento da manifestação e pela organização dos jovens timorenses que se manifestaram corajosamente nas ruas de Dili, rumo ao Cemitério de Santa Cruz.

Alguns desses jovens assumiram a sua responsabilidade pela organização da manifestação, tendo sido feitos prisioneiros pelas forças ocupantes, torturados e mantido em reclusão na cadeia. A eles a minha sincera homenagem.

Após a Restauração da Independência, o trabalho iniciado pela resistência juvenil na Fente Clandestina foi continuado pelo Comité 12 de novembro. Desde então, o Comité 12 de novembro tem vindo a desempenhar um papel de suma importância na preservação da memória coletiva relativa ao trágico dia 12 de novembro de 1991, sendo uma organização ativa da sociedade civil timorense.

No momento em que passam 25 anos do dia 12 de novembro de 1991, para além do reconhecimento que foi feito no passado a todos aqueles que estiveram corajosamente presente em Santa Cruz, o Presidente da República pede para que todas as organizações juvenis da resistência se voltem a unir para que essa memória coletiva relativa ao trágico dia 12 de novembro de 1991 nunca seja esquecida.

Hoje é também um dia de celebração, pois o dia de hoje marca o início das atividades de um novo Comité. O Comité Orientador para a Elaboração da História da Organização da Luta da Juventude, a quem dirijo os meus sinceros votos de felicitações e a minha estima pessoal e apoio.

O país pode contar comigo, para derramar mais suor e trabalhar para fazermos, juntos, um país mais seguro e uma economia mais próspera.

Que Deus abençoe todos nós e abençoe a terra amada de Timor-Leste.