INTERVENÇÃO DE SUA EXCELÊNCIA O PRESIDENTE DA REPÚBLICA FRANCISCO GUTERRES LÚ OLO NO ENCERRAMENTO DO VII CONGRESSO DA RENETIL

by Mídia PR Posted on

 Díli, 17 de Março de 2018

Companheiros e companheiras da Comissão Organizadora do Sétimo Cogresso e da Comissão Executiva

Companheiros do Conselho Central da RENETIL

Delegados ao sétimo congresso

Irmãos e irmãs,

Cumprimento calorosamente todos vós e dirijo uma saudação especial a todos os companheiros fundadores da RENETIL.

Vai comemorar-se este ano 30 anos sobre a constituição da RENETIL, em 20 de junho de 1988, e recordo a memória do saudoso fundador Fernando La Sama de Araújo. Pela sua determinação, capacidade e coragem, o saudoso La Sama constituiu um exemplo para os jovens da sua geração, no combate contra a ocupação. A sua memória deve ser um estímulo à participação da juventude de hoje na construção de um futuro melhor.

Companheiros e companheiras.

A criação da RENETIL correspondeu à abertura de uma frente nova da luta da resistência.

Em 1988, o regime do falecido presidente Suharto procurava apresentar ao mundo Timor-Leste como território pacificado. Afinal, quando o regime indonésio dizia ter neutralizado a luta armada, os nacionalistas timorenses levam a resistência ao coração dos ocupantes, com a criação da RENETIL, em Jacarta.

A RENETIL reuniu jovens de todas as inclinações políticas e transformou muitas universidades indonésias – em Bali e, depois, em Java – em centros de ação política organizada, contra a ocupação.

Nos anos seguintes, ações corajosas da RENETIL alimentaram muitas vezes o trabalho dos nossos diplomatas e ativistas na Frente Externa. E o trabalho da Frente Externa amplificou muitas vezes o impacto das ações da RENETIL, em conexão com as várias organização juvenis e com a frente política, clandestina e armada no interior do nosso território.

Esta sintonia virtuosa, esta ação unida, das várias frentes e da liderança nacional, foram fatores estratégicos para o nosso povo chegar à vitória. Fizemos, afinal, uma única luta sob a liderança de um único comando político-militar na Resistência Armada, para libertarmos o nosso país da ocupação estrangeira.

Sem unidade dos líderes e unidade de objetivos não teríamos conseguido isolar o regime do então presidente Suharto, alargar o apoio da opinião pública internacional à luta da resistência e não teríamos conquistado o direito ao referendo, nem a Restauração da Indpendência.

O referendo correspondia a uma estratégia de solução política negociada no quadro jurídico de uma “reposição da legalidade internacional” em Timor-Leste, facto que veio a suceder em 1999 – quando a maioria esmagadora do nosso povo votou contra a integração na Indonésia.

—X—

O enquadramento da RENETIL em muitas universidades da Indonésia contribuiu também para informar o povo indonésio sobre a luta dos timorenses e o direito à autodeterminação do nosso povo.

As relações de cooperação e amizade que a RENETIL estabeleceu com organizações da oposição democrática da Indonésia mostraram à opinião pública indonésia e ao mundo um valor central da resistência: a nossa luta era contra a ocupação, contra a violação da dignidade do nosso povo; não era, nem nunca foi, contra o povo indonésio.

A luta pela autodeterminação e a liberdade na nossa terra também contribuiu para a liberdade do povo indonésio.

Irmãos e irmãs.

A RENETIL não foi só um instrumento importante de combate. Foi uma escola de cidadania e nacionalismo, ajudando a formar uma geração de jovens timorenses que chegaram à vida adulta no país ocupado.

Trinta anos mais tarde podemos dizer que foi uma boa escola. Muitos membros da RENETIL ocupam hoje altas funções de responsabilidade – no Estado e em universidades; distribuem-se por diferentes partidos políticos; muitos são quadros técnicos qualificados e experientes, necessários ao país.

Vi com satisfação o programa deste sétimo congresso e o objetivo estabelecido de Revitalização do Papel da RENETIL para Garantir a Soberania Nacional e do Povo.

Todos os quadros nacionais são necessários para levarmos em frente as tarefas previstas nos nossos planos nacionais de desenvolvimento. Não podemos deixar ninguém de fora. É uma necessidade ainda mais imperiosa agora!

A geração de nacionalistas formados pela RENETIL, com a vossa experiência e preparação técnica, é necessária para ajudar a consolidar o Estado e desenvolver a economia nacional, especialmemte para criarmos o mais rapidamente possível uma economia diversificada, sustentável, que garanta mais bem estar já e nos próximos 10 a 15 anos, pois atrás de vós, agora, está outra geração.

Este objetivo é a nova prioridade nacional e tem de ser o novo foco da unidade nacional – da unidade dos líderes, e da unidade dos cidadãos. Sem unidade nada se conseguirá.

No campo académico, no setor empresarial, para a consolidação dos serviços públicos, na melhoria da qualidade das infraestruturas, da Educação e da Saúde, precisamos de mais know-how nacional.

Isto pressupõe apostarmos na qualidade do ensino e educação, bem como sabermos extrair lições das próprias experiências. Temos de contar cada vez mais com o saber dos filhos e filhas de Timor-Leste.

Tenho apelado à participação dos Veteranos – todos os veteranos – para ajudarem a levarmos o país para a frente. Isto inclui a geração da RENETIL, constituída por cidadãos experientes, maduros e com qualificação técnica.

Companheiras e companheiros.

O país precisa ainda de outra coisa: espírito de servir.

O que a geração da RENETIL mostrou, nos anos 80 e 90, foi que os jovens sentiam o sofrimento do país e estavam prontos a fazerem sacrifícios pela sobrevivência e afirmação da Nação e da identidade timorense.

Após a Restauração da Indpendência, construímos o Estado, impusemos o respeito pela dignidade, os direitos e as liberdades de todos os cidadãos.

Mas a afirmação da Nação e da identidade nacional dos timorenses, agora, depende do desenvolvimento do país, depende da realização da sagrada esperança de criarmos finalmente mais bem-estar e uma vida melhor para o nosso povo.

Como afirmei no Dia Nacional dos Veteranos, a nossa democracia trouxe já respeito pela dignidade, tranquilidade e segurança.

Mas a democracia não é só o direito de eleger líderes de cinco em cinco anos. Democracia é também o exercício, pelos cidadãos, de todos os direitos que a Constituição da RDTL estabelece, especialmente o direito dos cidadãos a uma vida melhor no seu próprio país.

O respeito pelo bom nome de Timor-Leste no mundo depende da capacidade de usarmos a Restauração da Independência como um instrumento de unidade ao serviço do bem estar do nosso povo.

Este objetivo requer espírito de serviço por parte dos cidadãos, dos líderes, de todos nós.

Tal como durante a luta corremos perigos e sofremos para servir a comunidade nacional, temos de continuar a empunhar os valores da resistência para tornar este país mais forte, com uma economia mais rica e uma vida melhor para todos os timorenses.

O nosso povo protegeu e defendeu os combatentes durante a luta, porque os valores da resistência puseram sempre o povo em primeiro lugar.

Para construirmos um país mais próspero e mais forte e seguro, o Estado tem de pôr os cidadãos em primeiro lugar. Se não, o país não avança e, mesmo que alguns fiquem mais ricos, no seu conjunto a Nação ficaria mais fraca.

Claro que é natural os cidadãos trabalharem para melhorarem as suas vidas e o bem estar das suas famílias.

Por isso mesmo, trabalhamos para desenvolver o país e criar uma economia diversificada e sustentável.

Mas temos de saber distinguir o que é interesse nacional e o que não é. O Estado tem de servir todos os cidadãos igualmente. Para isso, precisamos de um Estado interventivo, com políticas, meios e medidas adequados aos objetivos.

Apelei antes, e volto a apelar agora, aos veteranos para ajudarem a praticar os valores que trouxeram a Nação timorense à vitória:

  • Lealdade ao povo;
  • Espírito de serviço;
  • Simplicidade e honestidade.

Temos de transformar os valores da resistência num guia e conquistarmos a juventude para os valores de um Estado limpo, da dedicação ao estudo e ao trabalho, da responsabilidade de cada um de nós investir num futuro melhor para todos.

Companheiras e companheiros.

Temos de saber dar o exemplo e transmitir estes valores, porque eles são necessários para reforçar a confiança dos cidadãos no Estado – para reforçarmos a confiança nas instituições que a Restauração da Independência permitiu criar na nossa terra.

A confiança dos cidadãos nas instituições – assim como a paz e a estabilidade na sociedade – são fundações em que assentam a unidade nacional e o desenvolvimento.

Apelo á contribuição de todos vós, e de todos os cidadãos, para este objetivo de, em todos os níveis da sociedade, servirmos o povo, reforçarmos a confiança e reforçarmos a Nação.

É minha convicção que isto sim corresponde ao tema escolhido para orientar este sétimo congresso.

Viva a RENETIL!

Viva o povo timorense!

Viva Timor-leste.