Quartel-General, em Fatuhada, 02 de Fevereiro de 2017

Senhor Presidente do Parlamento Nacional,

Senhor Primeiro-Ministro,

Senhor Ministro da Defesa e Membros do Governo,

Senhor Chefe do Estado-Maior-General das FALINTIL-Forças de Defesa de Timor-Leste,

Senhor Chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa Australiana
Ilustres Convidados,

Senhoras e Senhores,

As minhas primeiras palavras são para saudar os Militares e Civis que diariamente trabalham, com dedicação e empenho, em prol do País, nas múltiplas funções nas FALINTIL-FDTL. É uma honra e um privilégio estar presente na cerimónia comemorativa do Décimo Sexto Aniversário das FALINTIL-FDTL, pelo significado que este evento representa para todos os Timorenses.

Saúdo, igualmente, a presença de todos os ilustres convidados que hoje se associam a esta cerimónia e, em particular, os nossos militares eos veteranos, a quem o País tanto deve.

Na qualidade de Comandante Supremo das Forças Armadas, dirijo-me hoje, pela última vez, aos homens e mulheres que servem na Instituição Militar que tive o orgulho de servir e a cuja construção dediquei grande parte da minha vida.

Estou aqui para dizer obrigado e o quanto me orgulho de vocês.

Volto a esta Casa, não para uma despedida, mas para uma palavra de gratidão e fidelidade. Quero que saibam que, como cidadão, a minha gratidão será eterna por tido o maior privilégio da minha vida: ter sido um Soldado de Timor-Leste.

Hoje aqui recordo-me do que é ser Soldado e dos princípios orientadores que me serviram de inspiração ao longo da minha vida.

Quando hoje contemplo o rápido progresso da nação timorense,recordo-me sempre daquele momento, no ano de 2001, em que estávamos concentrados em Aileu depois de uma longa e árdua luta armada na resistência à ocupação estrangeira aguardando ansiosamente pelo tão desejado objectivo de uma luta de um quarto de século – a independência de Timor-Leste.

Entendi, desde o primeiro momento, o desafio que tínhamos pela frente e que estávamos prestes a fazer história. Sabia que, inicialmente, iríamos precisar da ajuda internacional na tarefa crucial da criação das instituições do Estado e na consolidação da paz e estabilidade. Sabia, igualmente, que o caminho da transformação das Forças de Guerrilha em Forças Armadas, as FDTL, seria longo e que iria exigir o esforço e a solidariedade de todos nós.

De acordo com a Constituição, o Presidente da República é o garante da independência nacional e da unidade do Estado e, consequentemente, o Comandante Supremo das Forças Armadas. A associação constitucional do Presidente da República às Forças Armadas sublinha e acentua o seu caráter eminentemente nacional e suprapartidário. Este é um objectivo que, em permanência, deve merecer um amplo consenso e uma atenção prioritária de todos os agentes políticos e órgãos de soberania.

No exercício das funções de Comandante Supremo das Forças Armadas que a Constituição atribui ao Presidente da República, como última reserva estratégica da soberania e pilar estruturante e fundamental da identidade nacional, considero da maior relevância o reforço da coesão, da disciplina e do prestígio da instituição militar.

É certo que houve momentos ao longo de nossa jovem história que ameaçaram romper essa solidariedade e a confiança nas nossas instituições. Mas o povo timorense é sábio e paciente,na sua simplicidade,e foi com a participação de todos nós que conseguimos ultrapassar os nossos diferendose reforçar a confiança nas nossas instituições democráticas.

O ano que findou foi um desses momentos. Neste período de consolidação e de evolução da democracia que estamos a viver, gostaria de dirigir, em especial, uma palavra de apreço aos militares das FALINTIL-FDTL, que fizeram questão que os princípios de transparência e ética fossem respeitados pelos nossos políticos, contribuindo para o reforço de um clima de coesão, de estabilidade e de segurança. Souberam aguardar serenamente pela decisão política demonstrando um alto profissionalismo, uma elevada prova de maturidade democrática e um respeito institucional e de sentido de serviço a Timor-Leste.

Militares,

Minhas Senhoras e meus Senhores

Timor-Leste não pode esquecer aqueles que morreram em seu nome.

Ontem como hoje, os valores por que se motivaram, empenharam e combateram diferentes gerações de combatentes são no essencial os mesmos, concretizando-se na inerente defesa do valor maior que é Timor-Leste. Honremos e respeitemos os valores e as tradições.

O Estandarte Nacional das FALINTIL-Forças de Defesa de Timor-Leste é o fiel depositário de um legado de altos serviços prestados pela força das FALINTIL à causa da libertação nacional, dos quais resultou lustre, honra e prestígio para a Instituição Militar e para o País.

A condecoração que o Presidente da República e Comandante Supremo entendeu atribuir ao vosso Estandarte Nacional premeia a coragem e a determinação dos guerrilheiros da Libertação Nacional que combateram e tombaram na luta e significa uma honra para vós e para as Forças Armadas.

É, assim, de inteira justiça o público reconhecimento que presto nesta cerimónia, ao conceder ao Estandarte Nacional das F-FDTL a Ordem das FALINTIL e ao impor o respectivo distintivo no Estandarte Nacional à vossa guarda.

Militares,

Neste momento de despedida quero hoje, aqui na vossa presença, prestar a minha sincera homenagem a um Soldado de Timor-Leste, oMajor-General Lere Anan Timur, que pautou a sua vida pelo culto da Pátria, da honra e do dever e cujo exemplo deve constituir fonte de inspiração para as gerações futuras.

Senhor General Lere e eu, conhecemo-nos há mais de quarenta anos, desde o primeiro dia em que juntos militámos na frente armada pela luta de libertação nacional. A sua escolha para me substituir no cargo de Comandante das FALINTIL-FDTL foi a mais adequada face ao valor da pessoa e do militar, à forma de estar na instituição militar e à tarefa que o esperava.

Por isso gostaria de manifestar hoje a minha gratidão e o reconhecimento peloesforço, dedicação e trabalho desenvolvido à frente das Forças de Defesa num período muito exigente mas gratificante, em que muito foi feito em prol da coesão e dignificação da Instituição Militar.

É este homem e este militar que hoje o Comandante Supremo das Forças Armadas distingue com a Medalha deMérito de Timor-Leste.

Uma palavra de profundo reconhecimento é devida ao Vice-Chefe do Estado-Maior-General, Brigadeiro Filomeno Paixão e ao Chefe Estado-Maior das FALINTIL-FDTL, Coronel Falur Rate Laek pelo contributo inestimável que me deram no apoio ao exercício das minhas funções. O meu muito obrigado!

Militares,

Minhas Senhoras e meus Senhores

Umas Forças Armadas como qualquer organização, avaliam-se pelo produto final apresentado: o seu contributo para a segurança da Nação.

Sempre compreendi as Forças Armadas à luz do País. Atransformação da instituiçãodas FALINTIL-Forças de Defesa de Timor-Leste é um processo político em evolução no qual as Forças Armadas terão que receber as orientações adequadas para a condução das mudanças e transformações necessárias.

Num quadro de fortes restrições orçamentais o caminho a percorrer deve aproximar a visão estratégica estabelecida de umas Forças adequadas e eficientes, com um Sistema de Forças proporcional ao País que somos, aos objectivos que prosseguimos e às nossas capacidades e possibilidades.

Para isso será necessário ajustar todo o enquadramento conceptual de forma realista e adequada aos meios que se admite poder dispor, por forma a que haja a coerência de todos os diplomas elaborados, o que implica que sejam fruto de um planeamento estratégico adequado, ciclicamente revisto.

O primeiro Conceito Estratégico de Defesa e Segurança Nacional de Timor-Leste concorre para este objectivo. Este conceito proporciona uma leitura esclarecida e corajosa do ambiente de segurança do Séc XXI. Dele se espera a reavaliação do papel e das funções das instituições de defesa e segurança do Estado e dele decorrerá o desenvolvimento de um planeamento do investimento a longo termo que seja adequado ao nível do cumprimento das missões das F-FDTL, exequível por que respeita os tetos orçamentais e com elevada probabilidade de ser aceite em termos políticos.

É certo que, na actualidade, o equipamento é muito importante por isso pugnamos constantemente por melhor equipar as nossas forças. Mas, quem conhece a nossa história sabe que sempre foi o elemento humano e a sua vontade combater que fez a diferença. E, assim, vai continuar a ser. O futuro passa por uma organização constituída por militares e civis competentes e motivados, com elevados padrões de formação, qualificação e treino.

Como Comandante Supremo conheço a realidade, as capacidades, as limitações e as verdadeiras ambições das FALINTIL-FDTL. Avalio o seu desempenho como constituindo um legítimo motivo de confiança e orgulho para todos os timorenses.

É da maior justiça salientar o esforço desenvolvido pelas F-FDTL no âmbito da melhoria da capacitação dos seus recursos humanos, das capacidades tácticas e operacionais das forças, no reforço da cooperação bilateral e multilateral, no aumento da participação em exercícios nacionais e combinados e no esforço de consolidação das F-FDTL como uma instituição fundamental para a estabilidade e segurança do território.

Militares,

A hora da despedida é sempre um momento doloroso. É um dia em que o coração aperta. Costuma-se dizer que “Quem parte leva saudades, quem fica saudades tem!” Mas a vida ensinou-me que uma despedida nem sempre é sinal de tristeza. Muitas vezes é uma oportunidade de começar algo melhor!

Hoje é a minha vez de dizer obrigado. Foi para mim uma enorme honra e privilégio de ter sido o vosso Comandante Supremo.

Por mim devo muito às Forças Armadas. A imagem que pretendo deixar, principalmente aos mais jovens, é a de um soldado profundamente orgulhoso de ter, por mais de quarenta anos, servido as suas Forças Armadas e o seu País. Levarei como vossa recordação a imagem do vosso espírito de bem servir, da vossa dedicação e da vossa camaradagem.

Por isso vos presto homenagem e saibam que eu permanecerei atento a tudo o que se relacione com a Instituição Militar e solidário com a família militar a que pertenço.

É pois com um voto de esperança que vos exorto a continuar a servir a Pátria como sempre o fizeram, movidos pela confiança num futuro melhor na certeza de que, assim, continuareis a honrar Timor-Leste.

Viva Timor-Leste!