Timor-Leste (oficialmente República Democrática de Timor-Leste) é um país do Sudeste Asiático. O território de Timor-Leste abrange a metade oriental da ilha de Timor, as ilhas de Ataúro e Jaco, e o Oecússi, um enclave na metade a noroeste da ilha, circundado por território indonésio. Este país, com uma superfície de apenas 15 410 km2, situa-se a cerca de 640 km a noroeste de Darwin, Austrália.

Uma breve História de Timor-Leste

Investigações antropológicas indicam que o primeiro povo a chegar a Timor, por volta dos 40 000 a 20 000 a.C., foram os Vedo-Australóides, semelhantes aos Vedas do Ceilão. Seguiram-se os Melanésios por volta de 3000 a.C., semelhantes aos que atualmente vivem na Papua Nova-Guiné e em algumas Ilhas do Pacífico. É possível que, devido à natureza montanhosa do país, não se tenham misturado com os habitantes locais, tendo-se abrigado nas regiões montanhosas do interior. Este facto pode justificar a diversidade atual de línguas em Timor-Leste. Uma terceira vaga de imigrantes deu-se em 2500 a.C., os chamados “proto-malaios” – povos oriundos do Sul da China e da Indochina do Norte. Nos dias de hoje, os chineses, sobretudo os Hakka, continuam a ser uma das comunidades mais importantes ligadas ao comércio em Timor-Leste

A colonização de Timor pelos Portugueses

Os portugueses chegaram à costa de Timor, nomeadamente onde agora se encontra o enclave do Oecússi, por volta de 1515. Fizeram grandes lucros através da exportação de madeira de sândalo, tendo-se verificado uma sobre-exploração deste recurso. Em 1815, quando a madeira de sândalo se tornou praticamente extinta, os Portugueses deram arranque à exploração das plantações de café, da cana-de-açúcar e do algodão. Timor-Leste permaneceu essencialmente subdesenvolvido, com uma economia baseada na troca de géneros. Antes da Segunda Guerra Mundial, a capital, Díli, não tinha eletricidade nem abastecimento de água, havendo até mesmo apenas algumas estradas. Mesmo assim, antes da guerra, Timor-Leste era visto como um potencial estratégico. Com o início da guerra, os australianos e os holandeses, conscientes da importância de Timor como uma zona tampão, aterraram em Díli apesar dos protestos portugueses. Em Fevereiro de 1942, o Japão usou a presença dos australianos como pretexto para invadir Timor, onde permaneceu até Setembro de 1945. Aquando do final da guerra, Timor estava em ruínas. Cerca de 50 000 timorenses perderam a vida durante a ocupação dos japoneses, lutando contra a força invasora para proteger a Austrália. O povo foi também forçado a dar alimentos aos japoneses. Por conseguinte, aquando da rendição dos japoneses, o cenário em Timor era de miséria humana e devastação.

Os anos 60 – Uma nova era do colonialismo português

Os portugueses fizeram esforços, embora enfraquecidos, para erguer o país. No entanto, o desenvolvimento decorria a um ritmo lento. A taxa de crescimento anual entre 1953 e 1962 era apenas de 2%. Entretanto, as Nações Unidas declaram Timor-Leste como território não-autónomo, sob a administração portuguesa. Foi apenas aí que Portugal se esforçou, seria e sistematicamente, em desenvolver Timor-Leste através de três planos sucessivos de cinco anos. Portugal optou por governar Timor-Leste de forma direta e indireta, pondo de parte os funcionários civis da colónia e recorrendo às estruturas tradicionais de poder. Este modelo de governação deixou a sociedade tradicional timorense praticamente intacta.

A ‘Revolução dos Cravos em 1974 teve um impacto imediato em todas as colónias portuguesas. O ambiente político em Portugal era de esquerda e, pela primeira vez, aos timorenses foi dada a liberdade de criarem os seus próprios partidos políticos.

A 11 de agosto de 1975, os partidos timorenses mais conservadores deram arranque a um golpe, na tentativa de retirar o poder aos portugueses e prevenir a subida ao poder do partido de esquerda, a Frente Revolucionária de Timor-Leste Independente (FRETILIN). Os conflitos entre os dois principais adversários timorenses deram origem a violência, resultando em mais de 2000 mortes. A 28 de novembro de 1975, a FRETILIN deu a Timor-Leste a designação de República Democrática de Timor-Leste (RDTL). A RDTL foi reconhecida apenas por alguns países, nomeadamente por aqueles que haviam sido antigas colónias portuguesas e, por conseguinte, não perdurou. Dez dias mais tarde, a 7 de dezembro de 1975, as tropas indonésias invadiram Timor.

A ocupação indonésia

Nos primeiros anos da anexação indonésia, cerca de 60 000 pessoas perderam a vida. Estima-se um total de 200 000 mortes durante todo o período de ocupação. Num esforço de cunhar o poder sob a sua nova província dissidente, cuja aquisição foi censurada pelas Nações Unidas, a Indonésia investiu somas consideráveis em Timor-Leste, acelerando o crescimento económico, com uma média de 6% por ano durante o período de 1983-1997. Ao contrário dos portugueses, os indonésios favoreceram um regime forte e direto, nunca aceite pelos timorenses que estavam determinados em preservar a sua cultura e identidade nacional.

Em 1991, os militares indonésios autorizaram a entrada de uma delegação parlamentar portuguesa no país. A visita foi cancelada pouco tempo antes do acontecimento. As forças indonésias prosseguiram imediatamente com os ataques. Um jovem estudante, Sebastião Gomes, foi morto e muitos outros presos. A 12 de novembro de 1991, milhares de timorenses marchavam em direção ao cemitério de Santa Cruz para chorar a morte de Sebastião Gomes. O exército indonésio abriu fogo e matou mais de 200 pessoas. O Massacre de Santa Cruz foi um ponto de viragem face à ocupação brutal de Timor-Leste, enquanto as imagens chocantes eram emitidas em todo o mundo. Indivíduos e organizações começaram a pressionar os governos e as organizações internacionais a favor de Timor-Leste. A detenção do líder da resistência, Xanana Gusmão, em 1992, dirigiu também o foco para a situação de violação de direitos humanos, verificada em Timor.

A Indonésia deu consigo numa situação cada vez mais difícil que culminou em outubro de 1996, com a atribuição do Prémio Nobel da Paz a dois líderes timorenses, o Bispo Ximenes Belo e José Ramos-Horta. Este reconhecimento resultou numa crescente afirmação do movimento pela independência. Mais tarde, entre 1997 e 1998, a Nova Ordem de Suharto foi abalada por uma grave crise económica que levou à propagação das exigências relativas a uma mudança política. Suharto foi forçado a resignar, tendo sido substituído pelo seu vice-presidente, Dr. B.J Ainun Habibie. O novo Presidente não estava disposto a manter o “peso” de tal província, sendo ela dispendiosa. Em janeiro de 1999, concedeu a Timor-Leste a “autonomia alargada”. Caso os timorenses rejeitassem esta oferta, a Indonésia estaria disposta a “abrir mãos de Timor-Leste”. Em maio de 1999 foi finalmente acordada a realização de uma consulta popular em Timor-Leste, sob o auspício do secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan.

Um referendo pela liberdade

Em 1999, as Nações Unidas começaram com os preparativos do referendo, estabelecendo a Missão de Assistência das Nações Unidas em Timor-Leste, a UNAMET. A 30 de agosto, a esmagadora maioria do povo de Timor-Leste (78%) votou pela independência da Indonésia. As milícias pró-integracionistas responderam com grande brutalidade, atacando e pilhando todo o país. Por conseguinte, um terço da população foi obrigada a abrigar-se em campos de refugiados em Timor Ocidental e ilhas vizinhas. Um outro terço refugiou-se nas montanhas. Neste ambiente de violência, estima-se que 2000 pessoas perderam a vida. O Conselho de Segurança das Nações Unidas autorizou a entrada de uma força multinacional (INTERFET) no país, sob a estrutura de comando unificada de um estado-membro, a Austrália, para restaurar a paz e a segurança. As Nações Unidas lançaram também uma extensa operação humanitária que incluía a provisão de alimentos e outros serviços básicos. A 25 de outubro de 1999, o Conselho de Segurança das Nações Unidas estabeleceu a Administração Transitória das Nações Unidas em Timor-Leste (UNTAET) como uma operação de paz integrada e multidimensional, responsável pela administração de Timor-Leste durante a sua transição para a independência.

Independência

A 30 de agosto de 2001, Timor-Leste organizou as suas primeiras eleições livres. A 20 de maio de 2002, Timor-Leste tornou-se a mais recente democracia do mundo e o primeiro país do terceiro milénio. As celebrações decorreram em Tasi Tolu, à saída de Díli, local onde outrora havia servido de vala comum, e contaram com a presença de dignitários, incluindo o secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, o ex-Presidente dos Estados Unidos Bill Clinton e, de forma mais significativa, o Presidente Megawati Sukarnoputri da Indonésia. À meia-noite, a 19 de maio, foi erguida a nova bandeira de Timor-Leste, cantou-se o novo hino nacional, e a longa luta de Timor-Leste pela liberdade deu-se por terminada.

Feriados nacionais

Os feriados em Timor-Leste incluem feriados associados a eventos históricos da luta pela independência, bem como feriados religiosos:

 

Data   Observações
1 de janeiro Ano Novo  
data variável Eid al-Adha  
março-abril Sexta-Feira Santa  
1 de maio Dia do Trabalhador  
20 de maio Dia da Restauração da Independência Aniversário do término da administração transitória das Nações Unidas, 2002
maio-junho Corpo de Deus  
30 de agosto Dia da Consulta Popular Aniversário da Consulta Popular, 1999
1 de novembro Dia de Todos os Santos  
2 de novembro Dia dos Fiéis Defuntos  
12 de novembro Dia Nacional da Juventude Aniversário do massacre de Santa Cruz, 1991
28 de novembro Dia da Proclamação da Independência 1975
data variável Idul Fitri  
7 de dezembro Dia dos Heróis Nacionais Aniversário da invasão da Indonésia,1975
8 de dezembro Imaculada Conceição  
25 de dezembro Natal  

A lei prevê ainda datas comemorativas oficiais, nas quais pode ser concedida tolerância de ponto:

Data Nome
fevereiro-março Quarta-feira de Cinzas
março-abril Quinta-feira Santa
maio-junho Dia da Ascensão
1 de junho Dia Mundial da Criança
20 de agosto Dia das FALINTIL-Forças Armadas para a Libertação Nacional de Timor-Leste (FALINTIL)
3 de novembro Dia Nacional da Mulher
10 de dezembro Dia Internacional dos Direitos Humanos